Detalhes
Nome: OBRAS DE ARTE DA ENGENHARIA – Ponte Fundão/Galeão, bairro do GALEÃO – XX A.R.
Bairro: Galeão
Endereço: Pte. Velha do Galeão
Esfera de tombamento: Municipal
Ano: 2000
Ato Municipal: Decreto n° 18.995 de 05/10/2000
Status: Tombamento provisório

Comentário: É importante compreender que há duas Ilhas bem distintas historicamente por conta da construção da primeira das 3 pontes de concreto que fazem a ligação da Ilha com o continente em 1949. Nas décadas seguintes houve inúmeras transformações urbanas, populacionais, culturais, aterros diversos dentro da região. As vias passam a ser mais pavimentadas como a Estrada do Galeão.
Até 1949 acessar a Ilha do Governador era por meio das antigas pontes de atração que existiam em algumas áreas da Ilha: Cocotá, Freguesia, Jardim Guanabara, Galeão, Zumbi. Essas pontes ajudavam na chegada e saída de pessoas, animais, automóveis, materiais de construção, móveis, serviços… Elas chegavam nas barcas e balsas que faziam a travessia.
Desde a década de 1930 existiam projetos para a construção de uma ponte projetada ligando a Ilha ao continente com uma parte para automóveis e outra como linha férrea.
A chamada “ponte velha” teve as suas obras iniciadas em 1945, após uma série de projetos e lançamento de pedras- fundamentais que não foram adiante. A sua construção foi financiada pelo Ministério da Aeronáutica e contou também, com verbas oriundas do MEC, destinadas a construção da Cidade Universitária.
Um ano depois já se achavam instalados todos os 76 pontos de apoio, alguns atingindo 20 m de profundidade.
A continuação da obra foi realizada por meio de vigas de concreto protendido, técnica utilizada pela primeira vez no Brasil. Estas vigas eram moldadas em galpões situados na área mais tarde ocupada pela Panair e transportadas para o local definitivo por meio de embarcações com guindastes.
O projeto inicial previa uma viga contínua de concreto armado, com 368,4m de comprimento, distribuída em 15 trechos, cujos comprimentos variavam entre 19,4 e 43,4 metros. A empresa “Civilhidro” ganhou a concorrência e começou de imediato a execução dos tubulões pneumáticos, técnica utilizada pela primeira vez no Brasil. No final de 1946 todos os tubulões já estavam cravados, alguns a 20m de profundidade.
Foi quando a empresa construtora teve notícia do processo Freyssinet, utilizado em pontes destruídas durante a II Guerra. O Diretor do Departamento de Engenharia da Aeronáutica, Engº Alberto de Melo Flores, que se encontrava na Europa, entrou em contato com Eugéne Freyssinet e Edmée Campénon, que concordaram em adaptar o projeto inicial .
A ponte foi executada com cabos constituídos de 12 fios de 5mm de diâmetro, paralelos e dispostos em torno de uma “ mola “. Estes cabos sofreram um processo denominado de protensão, amplamente utilizado nos dias atuais. Na época a Ponte do Galeão era o recorde mundial neste tipo de construção.
No entanto, devido a necessidade urgente de se completar a ligação entre a Ilha do Governador e o continente, o que vinha se arrastando há anos, apenas a pista de entrada foi entregue ao trânsito, em janeiro de 1949, demorando ainda vários meses para que a pista de saída fosse completada.
Enquanto a obra não era inaugurada, acabou por se tornar um ponto de atração, onde muitos moradores da Ilha do Governador iam passear, sem imaginar as grandes mudanças por que iria passar a Ilha do Governador.
Em 31 de janeiro de 1949, após alguns adiamentos, a nova ponte foi inaugurada, porém incompleta. Havia apenas uma pista de mão dupla em serviço (aquela no sentido Centro- Ilha do Governador).
A inauguração da segunda pista ocorreu tempos depois, e em 1954, a rampa de acesso para a pista em direção ao centro foi entregue ao tráfego. Até então o acesso era feito em mão dupla.
Como o Ministério da Aeronáutica não aceitou o traçado do projeto que lhe foi apresentado, o qual envolvia a demolição de vários prédios e parte da pista do Aeroporto, o acesso à ponte teve de ser revisto, obrigando a construção da pista de rolamento com curvas fechadas, criticadas até hoje por muitos moradores.
Em 1982 foi realizado um serviço de recuperação da obra, refazendo-se as pistas de rolamento e 260m de juntas de dilatação. Foi a última intervenção de grande porte realizada na ponte, que continua em uso.
Jaime Moraes e Juberto Santos, RJ, 24/04/2026
DECRETO DE TOMBAMENTO:
https://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4722991/4121976/166DECRETO18995ObrasdeArtedeEngenharia.pdf
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